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8.7.10

free with their hearts

poets and women are always free with their hearts, are they not?

17.6.10

poema em linha reta

[...]
arre, estou farto de semideuses!
onde é que há gente no mundo?

então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
[...]
[álvaro de campos]

16.6.10

tão hubbell

então eu tive um pensamento: talvez eu não tivesse domado o big. talvez o problema era que ele não conseguira me domar. talvez algumas mulheres não são feitas para serem domadas. talvez elas precisem ficar livres até encontrarem outros tão selvagens quanto elas.

5.6.10

S01E03 - a baía dos porcos casados

- depois de casadas, elas deixam de confiar em você. você vira a inimiga.
- as mulheres casadas sabem que podemos transar a toda hora e lugar.
- podemos?
- elas tem medo que o façamos com seus maridos.
- nunca dormiria com um homem casado.
- como sabe se já não dormiu? sabia que alianças saem do dedo? ninguém confia em mulher solteira.
- nem todas as mulherer casadas pensam assim.
- tem razão. nem todas. ou elas a temem ou tem pena de você.
- não é verdade!
- nunca recebeu uma olhada do tipo "ai, coitada"?
- eu odeio isso.
- sim, já recebi. quando você é a única solteira da festa, a olham como se fosse...
- uma perdedora?
- leprosa.
- vagabunda.
- exatamente. os casados é que são os inimigos!
[...]
- quando elas se casam, se esquecem do que eram. "eu" se torna "nós". "nós adoramos o filme", "nós odiamos aquele restaurante". nós, nós, nós, nós, nós.

2.6.10

à vida

não roubarás minha cor
vermelha, de rio que estua.
sou recusa: és caçador.
persegues: eu sou a fuga.

não dou minha alma cativa!
colhido em pleno disparo,
curva o pescoço o cavalo
árabe -
e abre a veia da vida.
[tsvetaeva]

6.5.10

e, de fato, pouco me importa

...sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. e aceitava isso. eu estava longe de ser uma pessoa interessante. não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. um tipo de comportamento não se casava com o outro. pouco me importava.
[bukowski]

11.4.10

mieux que la liberté.
mieux que la vie.

7.4.10

desassossego

que há (de alguém) confessar que valha ou que sirva? o que nos sucedeu, ou sucedeu a toda a gente ou só a nós; num caso não é novidade, e no outro não é de compreender. se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. o que confesso não tem importância, pois nada tem importância. faço paisagens com o que sinto. faço férias das sensações. compreendo bem as bordadoras por mágoa e as que fazem meia porque há vida. minha tia velha fazia paciências durante o infinito do serão. estas confissões de sentir são paciências minhas. não as interpreto, como quem usasse cartas para saber o destino. não as ausculto, porque nas paciências as cartas não têm propriamente valia. desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de umas crianças para as outras. cuido só de que o polegar não falhe o laço que lhe compete. depois viro a mão e a imagem fica diferente. e recomeço.
[…]
um dia talvez compreendam que cumpri, como nenhum outro, o meu dever-nato de intérprete de uma parte do nosso século; e quando o compreendam, hão de escrever que na minha época fui incompreendido, que infelizmente vivi entre desafeições e friezas, e que é pena que tal me acontecesse. e o que escrever isto será, na época em que o escrever, incompreendedor, como os que me cercam, do meu análogo daquele tempo futuro. porque os homens só aprendem para uso dos seus bisavós, que já morreram. só aos mortos sabemos ensinar as verdadeiras regras de viver.
[livro do desassossego - fernando pessoa]

21.3.10

poética

de manhã escureço
de dia tardo
de tarde anoiteço
de noite ardo.

a oeste a morte
contra quem vivo
do sul cativo
o este é meu norte.

outros que contem
passo por passo:
eu morro ontem

nasço amanhã
ando onde há espaço:
– meu tempo é quando.
[vinícius de moraes]

5.3.10

bastian baltasar bux

as paixões humanas são misteriosas [...] as pessoas que as experimentaram não as sabem explicar, e as que nunca as viveram não as podem compreender. há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. outras, ainda, destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa - ou da garrafa. outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma idéia fixa que nunca se pode realizar. algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. em suma, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas
a paixão de bastian baltasar bux eram os livros.
quem nunca passou tardes inteiras diante de um livro, com as orelhas ardendo e o cabelo caído sobre o rosto, esquecido de tudo o que o rodeia e sem se dar conta de que está com fome ou com frio...
quem nunca se escondeu embaixo dos cobertores lendo um livro à luz de uma lanterna, depois de o pai ou a mãe ou qualquer outro adulto lhe ter apagado a luz, com o argumento bem-intencionado de que já é hora de ir para cama, pois no dia seguinte é preciso levantar cedo...
quem nunca chorou, às escondidas ou na frente de todo mundo, lágrimas amargas porque uma história maravilhosa chegou ao fim e é preciso dizer adeus às personagens na companhia das quais se viveram tantas aventuras, que foram amadas e admiradas, pelas quaise se temeu ou ansiou, e sem cuja companhia a vida parece vazia e sem sentido...
quem não conhece tudo isto por experiência própria provavelmente não poderá compreender o que bastian fez em seguida.
[michael ende - a história sem fim]

3.3.10

Lucy Van Pelt






eu era mal humorada quando nasci, sou mal humorada hoje e serei mal humorada pelo resto da minha vida… que alivio!

20.2.10

mas há a vida

mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
que tem que ser vivido
até a última gota.
sem nenhum medo.
não mata.
[clarice lispector]

18.1.10

mistress mary quite contrary

"where did the rest of the brood fly to?" she asked.
"there's no knowin'. the old ones turn 'em out o' their nest an' make 'en fly an' they're scattered before you know it. this one was a knowin' one an' he knew he was lonely."
mistress mary went a step nearer to the robin and looked at him very hard.
"i'm lonely," she said.
she had not known before that this was one of the things wich made her feel sour and cross.
[the secret garden - f. hodgson burnett]

2.8.09

vada sultenfuss ♥

why is it boys talk so much, when they have nothing to say? and girls have plenty to say, but no one will listen?
(home)